Sexta-feira, 21 de Setembro de 2007
espaço de opinião

Arquivo

 

Setembro  2008
de Henrique Estevão, a 26 de Setembro

Vivam os jogos olímpicos, os paralímpicos e os coxos

leia aqui

de António Paula Brito, a 20 de Setembro
Porque não se fala em Portugal da revolta olhanense de 1808?
Os olhanenses frequentemente colocam a questão referida no título deste artigo - porque não se fala desta viagem e da primazia da revolta olhanense no resto do País? Porquê é que só nós, em Olhão, sabemos disto?
Gostaria com este artigo dar algumas respostas que os leitores julgarão com o seu bom senso.
É verdade que Olhão parece mesmo ter sido protagonista da primeira revolta bem sucedida do País (confirmado pelo próprio Príncipe Regente no texto do Alvará Régio de elevação de Olhão a Vila…) e, posteriormente, foi protagonista do envio do primeiro correio marítimo para o Brasil – o caíque Bom Sucesso! Estes factos deveriam bastar para que não fosse esquecida nas comemorações nacionais ocorridas este ano, relativamente às Invasões Francesas e à transferência da Família Real para o Brasil!
Mas, o facto é que quase nada foi falado de Olhão!
Existem várias razões que podem explicar esta anormalidade e que podem ser divididas em externas, que não dependem de nós, e internas, que dependem do nosso comportamento como olhanenses.
Passo a citar o que considero ser as razões externas:
a)    As revoltas esmagadas noutros pontos do País, na mesma época, foram mais sangrentas, pelo que têm uma maior visibilidade histórica;
b)    A importância de uma revolta numa grande cidade como o Porto, mesmo quando não vencedora, tem sempre uma visibilidade histórica superior à revolta duma aldeia de pescadores como era Olhão, mesmo que ganhadora;
c)    A revolta de Olhão ocorreu durante a 1ª Invasão Francesa e todo o turbilhão sangrento que no resto do País se seguiu, tanto à 2ª como a 3ª Invasão Francesa, fizeram esquecer o que aqui se passou na 1ª Invasão.
Estas razões são obstáculos à visibilidade histórica de Olhão que, como já referi, nós não controlamos.
Mas há factores internos que dependem do nosso comportamento e têm de ser identificados para que possamos rodear tais obstáculos, e assim, dar maior visibilidade a Olhão.
Evidentemente, para darmos visibilidade a Olhão, temos que fazer algo para impressionar os que vivem fora de Olhão, relativamente à nossa História! Ou seja, temos que nos esforçar por vender aquilo que em marketing é habitual referir como a marca Olhão!
E o que é que fizemos no actual ano de comemorações para impressionar os outros relativamente à nossa História?
Penso que muito pouco e, desgraçadamente, a Câmara Municipal não só não teve qualquer protagonismo em eventos que fizessem chegar o nome de Olhão fora do concelho, como para cúmulo foi um obstáculo à realização desses eventos.
Cito o que foi feito para vender a nossa marca Olhão:
a)    A APOS tentou organizar um cruzeiro de Vela até ao Brasil aproveitando a experiência da Associação Nacional de Cruzeiros, que no ano de 2000 organizou este cruzeiro no âmbito das comemorações da descoberta do Brasil. Fez vários contactos a entidades regionais e nacionais mas nunca conseguiu que a Câmara Municipal assumisse qualquer protagonismo nestes contactos, pelo que, finalmente, todas as entidades perceberam a ausência de interesse da autarquia…
b)    A APOS tentou levar o caíque Bom Sucesso ao Brasil, ou, pelo menos, às regatas de vela do Algarve. A história repetiu-se: após diversos contactos todos entenderam a ausência de interesse da autarquia…
c)    O Elos Clube de Olhão organizou uma viagem comemorativa, turística e cultural ao Rio de Janeiro com honras oficiais. Novamente pelo que sei, o apoio foi nenhum!
d)    A deputada Esmeralda Ramires fez um breve discurso no Parlamento sobre o protagonismo olhanense nesse momento da História nacional.
 
Do lado da Câmara Municipal, como sabemos, as comemorações resumiram-se ao seguinte:
a)    apoiar os eventos que se têm repetido em Olhão e que são protagonizados apenas pela sociedade civil, como foi o caso da dramatização da Escola João Rosa, no dia 16 de Junho;
b)    encostar-se ao que outros fizeram, de forma algo patética, como foi o caso de incorporar a apresentação de livros de uma editora nas comemorações, como se esses livros tivessem sido editados a propósito destas comemorações…
c)     apoiar alguns espectáculos de música dentro da cidade, ou seja, fazer o que sempre fez mas fingir que tudo isto, este ano, era a propósito das comemorações…
d)    organizar uma exposição comemorativa no Museu da Cidade, que se tratou provavelmente, e até ao momento, do único esforço positivo da sua total responsabilidade, mas que infelizmente tem pouco impacto mediático exterior.
 
O problema é que todas estas actividades têm interesse quase exclusivamente interno, para dentro de Olhão, e pouco se repercutem no exterior!
Ora, se em pleno ano comemorativo, a autarquia olhanense se opõe a quem tenta vender a imagem de Olhão, e quase nada faz para projectar esta imagem para fora do nosso concelho, será de estranhar o desconhecimento existente sobre a nossa História?
Um pormenor que eu costumo citar como exemplo desta incompetência grosseira na arte de vender a marca Olhão no exterior, é o facto de em pleno ano das comemorações, a autarquia não conseguir colocar uma simples placa informativa, no cais do caíque, para informar os turistas do significado deste barco!
Se dentro de Olhão não conseguimos informar os forasteiros do significado do caíque, como poderemos ambicionar que lá fora conheçam a nossa História?
 
António Paula Brito
X

 

Também pode lêr este artigo aqui

e pode deixar o seu comentário.

 

 


 
 


mano zé às 15:43
link do post | comentar

acompanhe a
blogosfera olhanense actualizada a cada meia hora

 

     aqui

visitantes desde 26/12/2008

arquivos

Fevereiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

subscrever feeds