Terça-feira, 7 de Outubro de 2008
Olhão também tem Feira

sem notícias relevantes sobre Olhão para colocar hoje, mano zé deixa aqui da colaboradora  Paula Costa as suas reflexões sobre a Feira de Olhão.
A Feira de São Miguel e tantas outras feiras também
   Já todos fomos criança um dia – inevitavelmente e sem opção, todos passámos por essa fase. Correndo o risco de parecer demasiado cliché, relembro que a minha geração e as anteriores não conheciam a Playstation, mal sabiam o que era um Computador e nunca tinham ouvido falar na Internet. Brincávamos na rua e a nossa televisão não apanhava 40 canais. E muito menos a cores. Tínhamos cassetes e walkmans e não cds, dvds, mp3, ipods e afins. Ter telefone já era muito bom, quem havia de imaginar que ele um dia iria aparecer sem fios? Mas nós tínhamos uma coisa especial… uma vez por ano naquele mês de Setembro, acabadinho o Verão… tinhamos a Feira! Para quem não conhecia hipermercados, lojas dos 150 ou dos chineses, a Feira era qualquer coisa de extraordinário. Não só pelos brinquedos que lá conseguíamos encontrar, mas também pelo circo, pelos carrosséis, pelo algodão doce e pelas farturas. A “nossa” Feira acontecia na última semana de Setembro e tinha o seu dia principal a 28 (dia de São Miguel) e era para nós a Feira de São Miguel ou simplesmente a “feira grande”. Lembro-me perfeitamente desse tempo. Milhares de pessoas, adultos e crianças, feirantes a perder de vista, havia de tudo… divertimentos vários para todas as idades, circo com exposição de animais, restaurantes do mais pequeno ao maior, vendia-se roupa, loiça, artesanato, plásticos, frutos secos, brinquedos, cuecas, meias e afins. O torrão de Alicante, as pistas para corridas de carros em miniatura, as rifas, aquele senhor do microfone a anunciar mais um jogo de atoalhados, paninhos de cozinha, mantas, meias ou caixas de bolachas. Estava lá tudo. Mesmo uns anos mais tarde, já adolescente, era na feira que acabávamos as tardes depois da escola, especialmente às voltinhas nos “carrinhos de choque”. Mas os tempos mudaram… e a feira também mudou. Em primeiro lugar… mudou de sítio, e isso sim, mudou muito… Eu só a conheci perto da linha do comboio e do Bairro 11 de Março, mas ela já tinha sido “expulsa” do seu local de origem, mais conhecido como Largo da Feira. Com a necessidade do desenvolvimento foi mudando de sitio… já a conheci perto da doca, à saída de Olhão, quase em Pechão, tendo voltado hoje praticamente ao seu local original, uns anos mais à frente, outros anos mais para trás. Mas isso arrastou mais uma mudança… a mudança de tamanho e o consequente afastamento da população. Pois… o desenvolvimento da cidade deixou pouco espaço para a feira. A Feira de 1 de Maio, ou a “feira pequena” já se tinha perdido há muito (isto para quem ainda se lembra dela) e a Feira de São Miguel parece querer seguir o mesmo caminho. A necessidade de desenvolvimento da cidade (a nossa tão proclamada futura “cidade de cinco estrelas”), além de mudar completamente a estética da cidade como a conhecíamos, está a condenar as tradições de um povo pouco habituado a mudanças. Fui à feira de Tavira – com tanta construção à volta e em claro desenvolvimento, a cidade tem um recinto próprio para a sua Feira Anual que continua com a venda dos tradicionais frutos secos, queijos e enchidos, artesanato, loiça, tudo o que existe de popular e tradicional e não se vende nas grandes superfícies. E irei à de Faro. Esta, apesar de ser agora uma feira mais “civilizada” e já ter perdido grande parte dos artigos mais tradicionais, conseguiu estabelecer-se num local amplo e continua a atrair milhares de pessoas. Com mais um pequeno detalhe…a mais de duas semanas de começar a publicidade já está nas ruas. Alguém costuma ver publicidade à Feira de São Miguel? Não arranjaremos nós também um local para que a “nossa” feira possa voltar a atrair os tradicionais feirantes e visitantes? Uma “cidade de cinco estrelas” precisa obrigatoriamente de perder a sua identidade e a sua tradição em prol do desenvolvimento? 
Paula Costa, também pode ver aqui e deixar o seu comentário

 



mano zé às 08:10
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3 comentários:
De Vitor Matias a 7 de Outubro de 2008 às 11:18
Parabéns à Paula Costa pelo texto sobre a Feira de São Miguel. Ao ler o seu texto recuei no tempo, recordei as idas à Feira, as birras para os meus pais me comprarem um brinquedo, as idas ao circo, aquela grande entrada cheia de luzes. Este ano a Feira foi quase clandestina.
Se me permite, gostaria de corrigir uma coisa no seu texto. A nossa cidade não tem conhecido desenvolvimento, tem sim conhecido crescimento que são coisas diferentes.
Vítor Matias


De Lénia a 7 de Outubro de 2008 às 16:40
Muito bonito o texto. Revi-me nas apalvras da autora.

São tempos que lá vão, infelizmente. A tradição escasseia, e os nossos filhos, pergunto-me, que tipo de tradições irão recordar dentro de alguns anos?

Nós, pelo menos, aqui estamos com estas belas recordações. É pena que não passem mesmo só disso, recordações...

Parabéns à autora. Excelente texto!


De Lourenço Mendonça a 7 de Outubro de 2008 às 17:02
Parabéns, Paula Costa. O seu texto sobre a Feira de São Miguel fez recordar os meus tempos de juventude a encerrar a época de verão, antes do começo das aulas.
Naquela última semana de Setembro lá íamos para o Largo da Feira, cheio de carrosséis, carrinhos de barruasso ", 2 circos, farturas, guloseimas, brinquedos.
Hoje, a feira passa desapercebida, sem divulgação.
Para quando um Parque de feiras e exposições?


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