Sábado, 18 de Outubro de 2008
A. Paula Brito e Henrique Estevão opinam no

 

 A. Paula Brito com:   Olhão e a teoria da janela partida
    
A teoria da janela partida é algo que todos em Olhão deveriam conhecer.
Esta teoria foi posta em prática por Rudolph Giuliani, em Nova Iorque, quando exerceu o cargo de Presidente da Câmara desta cidade. A aplicação da dita teoria transformou Nova Iorque, de um antro de vandalismo e marginalidade, para uma das cidades mais seguras e limpas do mundo!
A teoria baseia-se em algumas experiências práticas: se deixarmos um carro de óptimo aspecto na rua durante alguns dias, o mais provável é que ele continue impecável. No entanto, se deixarmos um outro carro com uma janela partida, o mais provável é que passado algum tempo o carro esteja completamente vandalizado. Ou seja, de acordo com esta teoria se num determinado bairro cuidarmos continuamente da sua paisagem urbana, será difícil ela degradar-se, mas se deixarmos sem reparação uma janela partida, um muro grafitado, uma parede esboroada, então o mais provável é que rapidamente a degradação tome conta desse local, atraindo mais lixo, mais vandalismo e, finalmente, no topo da pirâmide, mais crime!
Nova Iorque e Olhão, com as devidas distâncias sociais e geográficas, são dois exemplos extremos da aplicabilidade da teoria da janela partida: em Nova Iorque, Rudolph Giuliani aplicou-a, e transformou a cidade para melhor; em Olhão, Francisco Leal não a aplica (provavelmente nunca terá ouvido falar dela…) e vai transformando a cidade para pior!
O vandalismo, insegurança, o lixo, o desleixo cívico e a imagem de degradação da cidade são sinais da ausência duma política urbana zelosa!
Um exemplo é o Chalé Vitória Saias, na EN 125: a imagem de degradação deste chalé é constante há cerca de 30 anos e é consequência directa da incompreensão autárquica dos mecanismos subjacentes à teoria da janela partida. A recuperação do chalé não é apenas a recuperação de uma memória do passado, é também a anulação dum objecto de poluição visual para a cidade. Muitas pessoas têm uma ideia extremamente negativa de Olhão porque o que conhecem é apenas o que vêem na EN 125, sendo o Chalé Vitória um ícone do desleixo da cidade e de uma autarquia que, aliás, é proprietária deste imóvel!
O Chalé Vitória deveria ser restaurado, pela boa imagem da nossa cidade mas, se o nosso Presidente da Câmara não quer restaurar este edifício, então deveria ter a coragem de o assumir, e não se limitar a esperar que o edifício caia. Se a ausência de cultura e de respeito pela memória de Olhão tem custos para o nosso turismo, esta cobardia para demolir o edifício tem igualmente custos, devido à imagem de contínua degradação que deixa aos visitantes e perdura por décadas!
A falta de cultura, aliada à cobardia, traduz-se numa inércia executiva que faz desta Câmara Municipal, embora inconscientemente, o vândalo número um da nossa cidade!
António Paula Brito
18 de Outubro de 2008
  

 

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 Henrique Estevão com o Viva o gamanço...
 
   
Viva o Sócrates
Cresci a saber que as duas mais velhas profissões do mundo eram a prostituição e o gamanço. Curiosamente – mesmo sendo eu hoje “ateu graças a Deus” - percebi muito cedo que uma e outra estavam (directa ou indirectamente) relacionadas com Jesus.
Sobre a primeira não comento por razões óbvias. Sobre a segunda é ponto assente que juntamente com Jesus também foram crucificados um bom e mau ladrão.
Quando eu era criança em Olhão toda a gente sabia quem
eram os ladrões. Gamavam consoante necessidades: ora uma
galinha aqui, outra ali, pelos pais de família necessitados;
de vez em quando roubavam um porco ou uma vaca por
necessidades especulativas no mercado; e quando muito de
vez em quando uma carteira, quase sempre vazia, para os
que sonhavam em investimentos imobiliários. Eram tempos
da fome. Da cor de nêspera madura que gamávamos, quando
putos, nas hortas para mitigar o muito espaço que nos
sobejava na barriga.
Neste novo milénio tudo mudou. São tantos os roubos que,
para não ir mais longe, nas três últimas semanas outras
tantas senhoras foram assaltadas perto de minha casa. Uma
às nove da manhã de um sábado, outra às seis da tarde de
quinta-feira e a última (coitada) numa sexta mesmo em
frente ao BPI quando tinha acabado de levantar a sua parca
reforma. São roubos de somenos. Nem foram noticiados
na TVI. Um outro sim. A uma bomba de gasolina, mereceu
destaque. A bomba estava fechada - não roubava nada – os
gatunos também nada furtaram, mas ainda assim foi notícia.
Enfim. São novos tempos. E por falar nisso. Já repararam que
estamos em crise? Os noticiários não falam de outra coisa:
ora a bolsa sobe, ora a bolsa desce. O que não ouvi foi falar
da bolsa da pobre velha sem pensão: gamada. São mesmo
outros tempos.
“Neste novo milénio tudo mudou. São tantos os roubos que,
para não ir mais longe, nas três últimas semanas outras tantas senhoras foram assaltadas perto de minha casa”.
Daí, tentando solucionar alguns problemas da actual crise,
ter pensado uma nova filosofia económica. Eu explico. Tem
apenas como único fim que é contribuir para uma verdadeira
sociedade liberal e para a cultura monetária baseada no mais
essencial e puro capitalismo. Liberta não só o estado de gastos
desnecessários e também contribui para a consolidação
do défice público. Criemos as “Escolas do Gamanço”. Podem
ter três vertentes fundamentais como explico:
Primeira vertente a pedagógica e formativa em que teremos
de educar os nossos formandos no sentido de “gamar”
como deve ser, tendo por objectivo causar o mínimo de dolo
possível às vítimas. Por outro lado educar os “gamados” no
sentido de (num site disponibilizado) avisarem atempadamente
a hora e local onde querem ser assaltados, com qualidade
garantida em letra miudinha. Evita-se assim o susto
e potenciais problemas cardíacos, o que representa uma
poupança significativa para o Sistema Nacional de Saúde.
(Não comecem já a falar mal por isto parecer um contrato
de prestação de seguros ou de venda de cartões de crédito.
Não tem nada a ver com isso. Não inventem.)
Segunda vertente a financeira e social em garantimos que
ninguém sairá prejudicado. O roubado ficará coagido dos
seus bens, é verdade, mas com 100% de garantia e no valor
por ele estipulado. O beneficiário deverá, no entanto, pagar
os respectivos impostos e descontos para a Segurança Social
(SS). A taxa ao ser obrigatória reverterá a favor de todos:
“técnicos do gamanço” e “gamados certificados”. Não convém
exagerar na tarifa a aplicar. Esta nunca deverá ultrapassar
para o IRC os 12% e para a SS o mínimo exigido por lei. Já
existem empresas no actual quadro fiscal que usufruem
desta prática pelo que não será necessário legislar nesse
sentido. Ainda na vertente económica convém não esquecer
que poderemos obter fundos comunitários para estudos e
métodos de gamanço iguais aos usados em pacotes disponibilizados
nas últimas décadas pela Comunidade Europeia.
(Bom já estão a pensar na banca e Centrais Sindicais. Por
favor. Não inventem.)
Terceira e última vertente - porventura a mais importante -
criar um garante de apoio jurídico para os nossos formandos.
Não no sentido de serem libertados quando apanhados no
gamanço (a lei já contempla tal facto) mas sim da necessidade
de serem indemnizados pelas largas horas em que
estão detidos, inibidos de praticar a sua actividade, com
reais perdas patrimoniais para si e para o Estado. Temos de
entender que a lei é soberana e igual para todos. (Vá lá agora
não inventaram nada.)
Acredito piamente que se a “Escola do Gamanço” for aprovada
pelo ministério correspondente singrará e irá criar,
num futuro próximo quadros e mais-valias que, com o
Magalhães, nos farão definitivamente afastar da nebulosa
e sombria costa onde esta crise nos fez aportar. Não é por
acaso que somos descendentes dos velhos e gloriosos marinheiros
quinhentistas. Só temo que com a crise e a queda
da bolsa, mais as “euro-manias”, não nos transformemos
em “cinquentistas”.
Viva o Sócrates e mais a tia Manuela. Viva o PS e demais
Partidos. Viva o Magalhães e o gamanço. Ops... eu disse gamanço?
Querem lá ver que ainda roubam os sacos do lixo
que teimam em deixar nas ruas de Olhão e o Fiscal da Câmara
ainda fica desempregado.
 

 

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